Djokovic desabafa após derrota em Wimbledon: "Estou farto de falar sobre o 25º"

Djokovic desabafa após derrota em Wimbledon: "Estou farto de falar sobre o 25º"

Novak Djokovic voltou a ser eliminado antes de uma final de Grand Slam em 2026, desta vez caindo diante de Jannik Sinner nas semifinais de Wimbledon por 6-4, 6-4, 6-4. A derrota, contundente no placar, foi acompanhada de uma declaração igualmente direta do sérvio na coletiva de imprensa: aos 39 anos, ele está cansado de ser cobrado pelo 25º título de Grand Slam como se toda a sua carreira dependesse desse número.

O caminho de Djokovic até as semifinais não foi simples. Ele precisou de cinco sets para superar o terceiro cabeça de chave Felix Auger-Aliassime nas quartas de final, numa batalha que evidenciou tanto sua resiliência quanto os limites físicos naturais de quem carrega duas décadas de elite no corpo. Curiosamente, enquanto o tênis vive um momento de transição geracional com nomes jovens dominando o circuito, outros esportes também acompanham movimentações de peso, como é o caso do futebol europeu - onde, por exemplo, Manu Koné a caminho do Arsenal representa exatamente essa renovação de elencos que define épocas. No tênis, essa renovação já tem nome e sobrenome: Jannik Sinner.

Sinner impõe domínio e avança à final

O número 1 do mundo e atual campeão de Wimbledon não deu espaço para o sérvio respirar. O placar de 6-4, 6-4, 6-4 traduz bem o nível do confronto: Sinner foi superior em quase todos os aspectos, controlando pontos longos, sacando com segurança e quebrando quando precisou. O italiano agora se prepara para defender o título diante do segundo cabeça de chave Alexander Zverev na final, com um histórico direto favorável de 10 vitórias contra 4 derrotas no confronto entre os dois. Zverev chega em boa forma, mas enfrenta um adversário que parece estar num nível acima no momento.

A frustração de Djokovic: quando a grandeza vira fardo

Após a partida, falando em sérvio na sala de imprensa, Djokovic foi enfático ao rejeitar a narrativa de que o 25º Grand Slam representa seu objetivo máximo. Ele apontou a mídia e pessoas do seu círculo próximo como fontes de uma pressão que, nas suas palavras, já começa a incomodá-lo de verdade.

"Não é o objetivo final. É muito importante que saibam - muitas pessoas me sobrecarregam, pessoas do meu segundo círculo de proximidade, e a mídia. Entendo que querem muito que eu conquiste esse 25, e eu também quero, mas isso não é o objetivo final", disse o sérvio.

Em seguida, foi ainda mais direto ao questionar a lógica por trás da obsessão com marcos numéricos: "É como se 24 não bastasse, mas 25 basta. 100 torneios não bastam, mas 110 bastam. 400 semanas como número 1 não bastam, mas 1000 bastam." A ironia era clara - e calculada.

"E se o 25 nunca chegar? A carreira vira um fracasso?"

A parte mais reveladora da coletiva veio quando Djokovic colocou a questão de frente: o que acontece com a avaliação da sua carreira caso ele nunca mais ganhe um Grand Slam? "Estou realmente farto de falar sobre quando virá o 25. E se nunca vier? E aí? É uma carreira fracassada?", questionou.

A resposta implícita, claro, é não. Djokovic detém o maior número de títulos de Grand Slam da história do tênis masculino, ultrapassou recordes que pareciam intocáveis e dominou o circuito por mais de uma década e meia. Aos 39 anos, ainda é capaz de chegar às semifinais do torneio mais tradicional do mundo - o que por si só já diz muito sobre o estado da sua carreira.

Mas o ponto que o sérvio levanta é legítimo e vai além do ego: há algo de ingrato na forma como grandes carreiras são avaliadas quando os atletas ainda estão em atividade. Cada conquista passa a ser apenas o trampolim para a próxima, e qualquer resultado abaixo do histórico é lido como declínio. Djokovic, ao colocar isso em palavras, fez um pedido de perspectiva - a si mesmo e ao entorno que o acompanha.

Com a temporada de quadra dura norte-americana à vista, o sérvio terá novas oportunidades no US Open, palco do seu último título de Grand Slam, em 2023. Mas, por enquanto, ele deixou claro que prefere ser lembrado pelo que já construiu do que pressionado pelo que ainda não veio.